A crise americana está cada dia mais grave. É uma crise mundial e coloca em discussão o modelo de desenvolvimento do capitalismo baseado na ciranda financeira.
O BIS – o Banco de Compensações Internacionais,uma espécie de central dos bancos centrais – estima um volume de ativos financeiros em circulação nas esferas especulativas de todo o mundo da ordem de US$ 600 trilhões. Este volume de direitos financeiros é dez vezes superior ao PIB mundial,estimado em US$ 60 trilhões.
Estes recursos giram na economia mundial sem produzir riqueza,significam uma movimentação virtual.
O presidente Lula,talvez motivado pelo período eleitoral,insiste em dizer que a crise não atravessará o Atlântico. Acontece que ela já atravessou e aportou no Brasil. Outras vezes o presidente minimiza os possíveis efeitos da crise na economia brasileira,afirmando que os fundamentos de nossa economia são fortes e que nossas reservas internacionais são robustas. Ou seja,que o país está blindado contra crises.
O economista Reinaldo Gonçalves afirma que a estabilidade do Brasil na verdade é falsa,é uma estabilidade de papel crepom. As reservas internacionais brasileiras correspondem hoje ao valor da dívida externa,enquanto a dívida interna é cinco vezes maior que as reservas,com um valor superior a um trilhão de reais. Somente o passivo de curto prazo está em torno de 600 bilhões de dólares,ou seja,três vezes as reservas.
Além disso,nossa economia continua sustentada em altas taxas de juros,instituídas para atrair capital especulativo. O mesmo que migra da bolsa de valores ao mais leve sinal de crise.
O outro “fundamento” de nossa economia é o superavit primário feito pelo governo à custa de cortes dos gastos sociais. Durante o governo Lula foram mais de 257 bilhões contingenciados para garantir a tranqüilidade dos especuladores do mercado financeiro.
O principal instrumento para realizar o superavit primário é a Desvinculação das Receitas da União. No período de vigência da DRU (2000 a 2007),R$ 45,8 bilhões deixaram de ser aplicados na Educação. Em 2007,o ministério da Educação (MEC) deixou de contar com R$ 7,1 bilhões.
O superávit previsto para 2008 é de 63 bilhões,dos quais 37 bilhões virão da DRU. Ou seja,caso tenha que aumentar o superavit para conter os efeitos da crise mundial,certamente o alvo principal serão os cortes na área social.
Mas qualquer medida mais amarga vai esperar o dia 26 de outubro. Primeiro deixa-se encerrar a votação,depois se apresentam as maldades.
Luiz Araújo é professor,mestre em políticas públicas em educação pela UnB,ex-secretário de educação de Belém (1997-2002),ex-presidente do INEP (2003-2004) e ex-assessor de financiamento educacional da UNDIME Nacional.
Fonte:http://rluizaraujo.blogspot.com/
