USP tenta demolir Núcleo da Consciência na véspera do Natal

Fonte: Afropress

S. Paulo - A Reitoria da Universidade de S. Paulo (USP) tentou demolir o barracão onde funciona,desde 1.987,o Núcleo de Consciência Negra,na véspera do Natal,e aproveitando o período de férias dos estudantes.

Segundo o coordenador do Núcleo,Leandro Sabático,a tentativa de demolição aconteceu no dia 21 de dezembro,quando o barracão ficou sem fornecimento de água durante um dia e as aulas do Cursinho Pré-Vestibular para a 2ª Fase da Fuvest tiveram de ser canceladas.

“Esse ataque ao NCN é mais um dos muitos ataques sofridos por aqueles que lutam pela democratização da USP,para que nela estudem jovens negros e da classe trabalhadora e para que o conhecimento gerado seja usado em benefício da sociedade e não do mercado”,afirmou em Nota que está sendo divulgada.

Revolta
O que mais revoltou os estudantes é que a tentativa de demolição aconteceu no período de férias,quando o campus fica praticamente vazio e em meio a uma negociação iniciada em setembro,com a Comissão de Comissão de Inclusão,designada pelo Reitor,João Grandino Rodas.

A Reitoria insiste que os estudantes devem abandonar o Núcleo,porém,não apresenta nenhuma alternativa. “Eles,simplesmente dizem que nós temos de sair,mas não apresentam alternativa para onde vamos”,acrescentou

No momento,o Curso Pré-Vestibular do Núcleo mantém cerca de 400 alunos,na sua grande maioria negros.

Na Universidade de S. Paulo,que tem historicamente resistido a adoção de políticas de ação afirmativa e de cotas,o número de negros era de apenas 14,27%,segundo dados da Fuvest no Vestibular de 2009.

S. Paulo tem a maior população negra do mundo fora da África. Cerca de 31%da população paulista é afro-brasileira. Só na capital,a maior cidade negra fora do continente africano,são 4,2 milhões de afro-brasileiros,segundo o IBGE.

Campus
O campus Butantã da Universidade de São Paulo possui 7.443.770 m²,o que equivale a 1.838 campos de futebol. Mesmo assim,demonstrando má vontade,a Reitoria não apontou nenhuma alternativa para que o Núcleo desenvolva suas atividades.

“A Reitoria quer que o NCN desocupe o barracão onde está localizado,tentando forçar o fim da entidade. Essa ação de repressão está diretamente ligada à criminalização da pobreza e à perseguição aos movimentos sociais dentro e fora dos muros da USP”,acrescenta Sábatico.

Além do Cursinho Pré-Vestibular,o Núcleo mantém a Biblioteca Carolina Maria de Jesus,um Centro de Idiomas e Oficinas de Teatro e de Comunicação,além de atividades culturais,seminários e palestras sobre a história,as demandas sociais e a cultura afro-brasileira.

Leia a Nota Pública do Comitê em Defesa do do Núcleo de Consciência Negra na USP
No dia 21 de dezembro de 2011,o Núcleo de Consciência Negra na USP (NCN) foi surpreendido por uma tentativa de demolição do barracão onde desenvolve suas atividades no Campus Butantã da Universidade de São Paulo. Por conta disso,o barracão ficou sem fornecimento de água durante um dia e as aulas do seu Cursinho Popular Pré-Vestibular para 2ª fase da FUVEST tiveram de ser canceladas.

A tentativa de demolição aconteceu no período de férias,quando o campus fica praticamente vazio. Esse ataque ao NCN é mais um dos muitos ataques sofridos por aqueles que lutam pela democratização da USP,para que nela estudem jovens negros e da classe trabalhadora e para que o conhecimento gerado seja usado em benefício da sociedade e não do mercado.

O campus Butantã da Universidade de São Paulo possui 7.443.770 m²,o que equivale a 1.838 campos de futebol. Apesar disso,a Reitoria da USP não apresentou até o momento uma alternativa de espaço para que o Núcleo de Consciência Negra na USP desenvolva seus projetos políticos e educacionais.

A Reitoria quer que o NCN desocupe o barracão onde está localizado,tentando forçar o fim da entidade. Essa ação de repressão está diretamente ligada à criminalização da pobreza e à perseguição aos movimentos sociais dentro e fora dos muros da USP.

Nós,apoiadores e membros do Núcleo de Consciência Negra na USP não desistiremos da luta política histórica em prol da ampliação da diversidade étnico-racial no ambiente acadêmico. Repudiamos a ação truculenta,elitista e,no limite,racista da USP contra o NCN. Não nos calaremos diante de qualquer intervenção contra a organização e a autonomia política dentro da Universidade por ordem unilateral da reitoria ou de outros órgãos da USP,como temos visto acontecer.

O Núcleo de Consciência Negra na USP é uma entidade sem fins lucrativos localizada há 24 anos no campus Butantã da USP e sempre lutou pela implementação de Cotas Sócio-Raciais como meio de reparação histórica ao povo negro brasileiro. Atualmente,a entidade mantém a Biblioteca Carolina Maria de Jesus,um Cursinho Popular Pré-Vestibular,um Centro de Estudo de Idiomas e oficinas de Teatro e de Comunicação,além de atividades culturais,seminários e palestras sobre a história,as demandas sociais e a cultura afrobrasileira.

Comitê Em Defesa do Núcleo de Consciência Negra na USP
Para assinar a Nota,contate:nucleodeconsciencianegra@gmail.com

1 comment to USP tenta demolir Núcleo da Consciência na véspera do Natal

  • Sou muito grato ao NCN por ter me dado uma consciência que eu não havia desenvolvido sobre a situação do negro no Brasil. Graças ao cursinho e claro,à minha determinação de estudar,consegui entrar na USP e me formei ha um mês atrás. Depois que entrei na faculdade de biblioteconomia voltei ao NCN para ver o que podia fazer para ajudar a entidade a continuar com seu magnífico trabalho social. Organizei,juntamente com alguns amigos da biblioteconomia(na ECA-USP) a biblioteca do NCN e por ela tenho muito apreço. Minha história na USP tem marcas profundas da ajuda que o NCN me prestou em tempos difíceis em que eu lutava pelo direito à graduação em universidade pública. Mesmo sendo eu branco,fui recebido com muito carinho por todos e convivi com pessoas maravilhosas ao longo do cursinho e da graduação. Então me revolto com esta situação absurda do não reconhecimento do trabalho desta entidade e o que posso ver é descaso da reitoria com uma entidade que trabalha em prol da inclusão não só de negros,mas de pobres como eu,no meio acadêmico. Espero que este meu testemunho sirva para abrir os olhos de pessoas que pensam que o NCN trata apenas da questão racial. Minha historia prova que a Entidade recebe a todos os que a procuram com imparcialidade racial e presta ajuda sem questionamento. Peço então ao reitor que considere esta questão e que mantenha este espaço democrático importante na universidade que deve cada vez mais deixar para trás seu cunho elitista e sua tradição de dar instrução aos mais abastados em detrimento daqueles que não conseguem ter acesso à universidade pública por conta da incompetência do nosso moribundo sistema educacional publico. O despreparo com que o aluno de segundo grau de escola pública vem hoje para o vestibular só pode ser compensado com ações afirmativas e inclusivas como as que o Núcleo de Consciência Negra pratica. Então,a luta do NCN pela sua permanência na USP não é uma luta do povo negro apenas,é uma bandeira da sociedade e principalmente da classe pobre da qual esta entidade se faz aliada na luta pelo direito a educação de nível superior. Então seja você branco,mulato ou negro,é muito importante que se junte a nós nesta reivindicação por espaço e pela ampliação de oportunidades aos mais pobres,para que possam estudar na USP.

    Rodinaldo Alves dos Santos
    Bibliotecário (graças a ajuda prestada pelo Núcleo de consciência Negra da USP)

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