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A integração Latino Americana.

Lula, durante muito tempo, fingindo ser de esquerda, conseguiu enganar grande parcela do povo brasileiro, especialmente os trabalhadores. Seu novo conselheiro, o ex-ministro da ditadura militar, Delfim Neto, termina sua entrevista à revista Veja afirmando que: “Lula já transcendeu o meio sindical há muito tempo. Ele foi um sindicalista competente que trouxe benefícios aos trabalhadores. Lula não é o Chávez”.

A integração Latino Americana.

André Borges

 

                 

André Borges.

Lula, durante muito tempo,  fingindo ser de esquerda, conseguiu enganar grande parcela do povo brasileiro, especialmente os trabalhadores. Seu novo conselheiro, o ex-ministro da ditadura militar, Delfim Neto, termina sua entrevista à revista Veja afirmando que:  “Lula já transcendeu o meio sindical há muito tempo. Ele foi um sindicalista competente que trouxe benefícios aos trabalhadores. Lula não é o Chávez”.

Mas  claro que ele não é o Chávez. Razão pela qual  hoje os trabalhadores e o povo brasileiro lamentam que ele não seja o Hugo Chávez, e que não tenha demonstrado a firmeza  que o atual presidente da Venezuela está demonstrando na defesa da soberania do seu povo. Valente e humilde ao reconhecer publicamente estar fazendo aquilo que não só o povo brasileiro, mas toda  a América Latina esperava  do presidente Lula, ao dizer:

“ O Brasil, por seu peso geográfico, político e econômico, está destinado a liderar a libertação da América Latina”. Disse Hugo Chávez, em um discurso ao receber a medalha Tiradentes na Assembléia Legislativa do Rio, ocasião em que o presidente da Venezuela  disse se orgulhar em ser um soldado do exército de Tiradentes.

Mesmo que o presidente Lula não pense ou não queira compreender a verdade expressa nessas poucas linhas, o presidente  Hugo Chávez vem articulando a necessária integração econômica, política e cultural da América Latina. Com segurança e estratégia, vem contornando os escolhos que os inimigos dessa integração atiram em seu caminho. Seu guia em tal jornada não poderia ser outro senão Simon Bolívar, para quem estava claro já naquela época que a ruína da América Latina era a América do Norte. Que nunca quis que se abrisse a perspectiva da criação da pátria sul-americana sonhada por ele e severamente combatida pelo Império Americano, por ver nessa unidade uma nítida ameaça à sua hegemonia no Continente.

O libertador de Cuba, José Martí, disse: “o que Bolivar não fêz, ainda está por ser feito na América”. É justamente isso que Hugo Chávez está buscando realizar. Embora Lula venha vacilando em assumir politicamente tal papel, acredita-se que desta vez o Brasil certamente não mais terá a posição vacilante de não empunhar a bandeira de luta em defesa da independência da América Latina, dúvida  essa que havia na análise de Bolivar e seu Estado Maior, com relação ao Império Brasileiro governado à época por D. Pedro I.

Os patriotas brasileiros sabem que, por ser o Brasil possuidor das maiores reservas minerais do Continente, tão necessárias à manutenção da máquina de guerra do Império Americano, será a sua principal vítima e, para resistir lutando em defesa da sua soberania, necessitará contar com a solidariedade latino-americana. Razão pela qual Lula não pode recusar a mão estendida de Chávez  lhe ofertando o bastão de comando.

A História nos ensina a não esquecer as experiências de lutas passadas travadas pelos patriotas e heróis latino-americanos no processo de independência política contra o colonialismo espanhol, inglês, português e holandês, ocorrida entre os anos de 1804/ 1828, quando as colônias se transformaram em Estados Nacionais; escravos  e semi-escravos em trabalhadores livres.

O presidente Lula mencionou, no encerramento da Cúpula do Mercosul, realizada no Rio, a necessidade de se aceitar o que ele chamou de "pluralismo ideológico". Mas  o jornalista Alberto Dines, em seu comentário, disse: “Nós somos uma democracia e a Venezuela parece empenhada em mostrar que muito em breve deixará de sê-lo.  O governo brasileiro parece não estar preocupado com a velocidade do processo autoritário na Venezuela”. Ora, de um ferrenho defensor dos magnatas da imprensa, não se podia esperar outra coisa.

Ao receber a medalha Tiradentes na Assembléia Legislativa do Rio,  o presidente Hugo Chávez disse, exibindo significativamente um exemplar  do jornal O Globo: “O Globo quer envenenar e tentar confundir. Os oligargas do O Globo tentam desfigurar-me, mas eles é que são desfigurados. Todas as oligarquias da América Latina estão subordinadas  aos mandos de Washington e O Globo está cumprindo os mandos de seus amos imperialistas, como  acontece  na Venezuela e em outros países”, identificando a mídia como braço do imperialismo norte-americano”. Enquanto o povo, no plenário e nas galerias, gritava: "O povo não  é bobo, abaixo a Rede Globo.

Afirmou  ainda que a cobertura jornalística sobre seus atos faz parte da "estratégia inimiga" de "impedir que a idéia da revolução bolivariana tenha impacto". Ex-coronel do Exército, Hugo afirmou: "É preciso pulverizar a estratégia inimiga". Citou o herói da independência da Venezuela e de outros países da região Simón Bolívar (1783-1830): "É como uma guerra. Uma artilharia. Simón Bolívar dizia que a imprensa é a artilharia do pensamento.Temos que ganhar a batalha ideológica".


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